Indo eu, indo nós a caminho do lugar mais sagrado

Se pouco sabia sobre o que encontrar em Timor, também pouco sabia que tipo de paisagens é que podia ver. Depois de irmos à ilha de Ataúro e termos ficado rendidos à beleza virgem e natural de Timor, ainda havia um outro sítio ao qual toda a gente nos falava “Jaco é obrigatório!!!”. A forma como descreviam o lugar como sendo a coisa mais linda que alguma vez tenham visto na vida, criou em nós uma expectativa altíssima. Só para terem uma ideia do quanto é belo este lugar, os timorenses consideram Jaco uma terra sagrada, não deixando que nada se faça no lugar, apenas passar o dia e regressar. Não há alojamentos, não há campismo selvagem, não há nada, apenas se pode visitar.

Viajar por Timor já não é por si uma tarefa fácil e chegar ao paraíso ainda é mais difícil! Lá fomos nós de autocarro por aí fora, ao fim de 4horas de viagem paramos em Baucau e conhecemos um casal jovem da Dinamarca e um rapaz da Républica Checa, ambos estavam a fazer turismo em Timor. Coisa rara por estas bandas. Os estrangeiros que costumamos ver por Timor são os que trabalham no país e normalmente são essas pessoas que são os turistas. Por isso foi bom encontrar estes jovens mochileiros. Como íamos todos para o mesmo sítio juntamo-nos a eles, ou eles a nós. De autocarro em autocarro, e horas a fio (mais 3horas) em cima de uma estrada que alcatroada, não tinha nada, chegamos até à aldeia Tutuala, a mais proxíma da ilha de Jaco. Mas o sacrifício de chegar até aqui não tinha terminado, pela frente tínhamos um desafio que nem sabíamos bem para o que íamos. Tínham-nos dito que depois de chegar a Tutuala havia uma placa com a direcção a Jaco, e por lá seguia um caminho de apenas 8km, mas que só se conseguia ir de jipe 4×4, não havendo transporte local para lá.

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Como não temos carro tinhámos que ir a pé e pensamos que 8km também nem era assim tanto….Não sabíamos nós, que o caminho é do mais duro que há, mesmo fazendo-se a pé. Carregados com as mochilas e à chapa do sol, tivemos que andar por um caminho horrível de se fazer com grandes buracos, pedras soltas, custava tanto a subir como a descer. Para fazer os tais 8 km um jipe demora cerca de 45 min a fazer (podem já imaginar o quão mau é o caminho) nós já estávamos a andar à 2h30 e ainda só íamos a meio! Como era fim de semana prolongado, estávamos com esperança que houvesse uma alma caridosa que ali passasse e nos desse boleia, mas o fluxo de carros por ali é muito pouco e conseguir arranjar boleia para nós os cinco ainda era um desafio maior. Passa um jipe, mas não havia espaço para nós. Cansados caminhamos mais um pouco mas o sol teima em ficar cada vez mais quente e fazer o percurso já começa ser sacrifício. Movidos pela expectativa de irmos ver o lugar mais bonito do mundo continuamos.

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Dureza!!!

Poucos mais de meia hora passa um outro jipe. Um simpático timorense dá-nos boleia na sua carrinha de caixa aberta. Saltamos todos para trás, completamente felizes pela facilidade com que o povo timorense ajudam os Malais (estangeiros em tétum). Agora há boleia lá continuamos e chegamos a Valu (a praia costeira que nos leva mediante travessia de barco até Jaco). O cansaço de um dia longo foi de imediato superado quando vimos a praia de Valu. Bem mas o que é isto!!! Que praia!!! Ui se Valu já nos arrebata com um UAAUUU!!! Estamos ansiosos por ver Jaco!!!

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Valu beach e em frente é Jaco

Valu é uma praia com dois resort (não pensem que são os resort ao qual se estamos habituados a ver nos catálogos de turismo) são umas palhotas muito simples e rudimentares geridas pela comunidade local, têm um restaurantezito para dar suporte e mais nada. Nós ficamos no lado onde meia duzia de pescadores vivem e pedimos para montarmos a nossa tenda. O Mão Caetano, o pescador “chefe” para além de nos deixar colocar a tenda na sua praia ainda nos quis ajudar na montagem.

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Suite com vista para Jaco e um milhão de estrelas

Ficamos hospedados na nossa tenda por 4 dias, em jeito de “survivor” com um grupo de amigos, parecíamos que estávamos num reality show, não há casa de banho, tudo o que comíamos era o que a terra nos dava, o o sal do mar entranha-se no corpo, o meu cabelo já dava para fazer rastas. Faziam-se fogueiras na praia, assava-se o peixe que o mão Caetano  tinha pescado e comia-se com a mão.

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A mostrar os meus dotes de quem cresceu junto de peixeiras 🙂

Tudo servia para tornar a nossa estadia impecável. Não tínhamos pratos, mas não faz mal, o bamboo fez de travessa, não tínhamos grelha, não faz mal assou-se o peixe em cima de paus, não temos casa de banho, não faz mal, não há nada melhor que é ser-se natural.

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Atum grelhado ao natural, sem sal, sem corantes nem conservantes 🙂

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Durante 4 dias não comemos mais nada a não ser peixe.

 

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Já não me lembro o que originou a vontade de rir

Nesta foto estamos com o casal da Dinamarca e o rapaz da República Checa. O Timorense que está no meio era um militar que estava de serviço, meteu conversa com a gente e acabou por jantar connosco.

Timor  é a vida no seu estado mais puro, mais selvagem e mais genuíno. Mais um fim de semana que nos ficará na memória como um dos melhores.

No tempo que estivemos em Timor ainda voltamos mais duas vezes a Valu.

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Começando pelo Ricardo: eu, André, Fernando, Julia, Marlene, Leonie, Adriano, Jonathan, Daniela, Mariana, Domingos.

 

 

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