Malai? Malai!?

É desta forma que os timorenses nos abordam quando nos vêem na rua. Malai quer dizer estrangeiro, e nem vos passa as vezes que ouço esta palavra, sai da boca das crianças, dos mais velhos, do avô, da mulher da fruta, do senhor do peixe, de toda a gente! De uma forma entusiasmada evocam a palavra Malai, para nos chamar e cativar atenção. A nós não nos incomoda nada, sorrimos e acenamos cada vez que temos alguém a chamar, mas à quem já tenha uma opinião diferente sobre este “Malai”, como sendo prejudicativo. Há quem defenda que não devíamos alimentar essa distinção, pois assim não se estabelece a união e integridade de um povo, como um todo.

Eu cá acho engraçado e não me incomoda nada ser a Malai, até porque o sou e por enquanto ainda é das poucas palavras que reconheço em Tétum e fico contente quando a ouço 🙂 🙂

O mais engraçado também disto é que depois de te conhecerem e ganharem a nossa confiança já não nos chamam de malai mas sim pelo nome, mais propriamente, por Mana Katy e Mão Ricardo e quando ouvimos isso é sentimento tão bom, sentimo-nos “aceites” integrados.

Depois do Malai? Malai? Acenamos sempre com a mão um adeus e esboçamos um generoso sorriso, cumprimentamos a pessoa ou a criança com um bom dia ou boa tarde e em troca recebemos um grande sorriso de orelha a orelha 🙂 e muitas vezes umas boas gargalhadas envergonhadas só porque estamos a dar atenção. A resposta é dada de forma feliz e dizem “Bomdiaaa” ou “Botardiii” (é mesmo assim que dizem prolongam a última sílaba).

O primeiro contacto está feito, entre sorrisos e gargalhadas prolongam mais um bocado o diálogo e perguntam sempre mas sempre “Ba né bé?”, que é o mesmo “Onde é que vais” ou “Onde é que foste”. Nesta pergunta estabelece-se logo aqui a primeira diferença cultural. Ao início ficava-mos naquela, então mas sempre a perguntar onde é que fomos ou que vamos fazer, suou-nos um bocado estranho, do género mas o que é que tens a ver com isso :):) mas rapidamente percebemos que a pergunta não tem qualquer interesse em saber da nossa vida, é pura curiosidade, é a forma de estender mais um bocado a conversa, funciona como o nosso “Então tá tudo bem, como é que estás?”.

Estas pequenas diferenças culturais são tao interessantes de se identificarem, coisas mínimas mas que ao início nos são estranhas.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s