Não se pode ir passear sempre

Há fins de semana que ficamos por Díli e não saímos, até porque viajar pelo país é mesmo um grande desafio, os transportes públicos são limitados, alugar um carro está completamente fora do nosso orçamento. Então há fins de semana que ficamos pela escola e aproveitamos para nos organizar, limpar o quarto e arrumar as roupas.

Ao fim de semana a maior parte dos alunos vai a casa ficando apenas na escola os voluntários e os professores. Tudo fica mais tranquilo e relaxado, de manhã já não é preciso levantar cedo (por volta das 08h). O sábado é dia de limpezas e fazer manutenção à escola. Entre baldes, vassouras, e ferramentas toda a gente trabalha em qualquer coisa.

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Sempre na brincadeira

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Estro aproveita para fazer a barba

Por regra imposta pela escola só podemos lavar a roupa ao sábado. O que é uma chatice, para além de se acumular muita roupa para lavar, há também muita gente com a mesma necessidade. Mas até uma tarefa engraçada, de galhofa e de convívio. Opá parece que voltei aos anos 50, vem-me à cabeça a música “àgua fria da ribeira” só me falta o sabão azul. Alguma vez eu imaginei que um dia teria que lavar a minha roupa à mão tal como a minha mãe fazia quando era mais pequena. Não tenho jeitinho nenhum e confesso que não é nada fácil e faz doer as costas 🙂 primeiro deixo a roupa de molho no omo, depois lavo peça por peça, sinceramente nem sei se fica bem lavada, mas fica a cheirar bem já não é mau. Entre lençóis, toalhas de banho, t-shirt, calções e vestidos é coisa para eu demorar uma hora e tal. A escola tem duas máquinas mas só funcionam para quando se quer torcer a roupa, é melhor que nada e eu aproveito para torcer a minha roupa. Depois coloco a estender na área reservada para o efeito e com o calor que está rapidamente fica enxuta e tenho logo que a tirar do sol.

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Toca a limpar a suite

O Ricardo junta-se ao Estro (o rapaz que comanda a equipa da manutenção da escola) e vai ajudar na requalificação das casas de banho dos voluntários estudantes. Ele será a melhor pessoa para falar sobre a sua experiência, por isso vou deixar ele escrever o texto:

Aqui na escola há sempre trabalho para fazer, e quando não há inventa-se. Por isso, sempre que temos um tempinho livre tentamos ajudar. Como a Katy disse, eu junto-me algumas vezes ao Estro na parte de manutenção e construção. Durante o mês de Novembro estivemos a construir umas casas de banho para os voluntários Timorenses. No primeiro dia que lá cheguei eles estavam a fazer o lintel de fundação para a parede divisória e já tinham colocado a primeira fiada de blocos. Quando olhei para o trabalho verifiquei que estava bastante torto e alertei-os para o facto, por isso pedi-lhes um fio e estiquei-o. Era o que eu pensava, o muro estava bastante torto 🙂 foi necessário arrancar os blocos quase todos e refazer o muro. Gosto muito de fazer estes trabalhos com eles porque estão sempre prontos a ouvir e a tentar melhorar. Eles raramente usavam o nível de água por isso “obriguei-os” a usá-lo e ensinei como verificar o nível das coisas.

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O mestre das obras

O calor começa a aquecer e à tarde vamos até a praia.

 

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One response to “Não se pode ir passear sempre

  1. ” Alguma vez eu imaginei que um dia teria que lavar a minha roupa à mão tal como a minha mãe fazia quando era mais pequena.” — Moça, tardou! Lavar roupa à mão é o pão nosso de cada dia da minha vida de viajante… ainda há duas semanas estava nisso em Cabo Verde 🙂

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