Ilha Ataúro-Parte II: De mapa na mão…

De barriga cheia e satisfeitos com o almoço, fomos conhecer o Eco Resort do Barrys, que é já um local obrigatório de visita. O Barry é um Australiano, talvez na casa dos 40 anos, casado com uma timorense e que vive em Timor há muitos anos. É praticamente um local, mas de pele mais clara e de cabelos loiros. O Barry está para a ilha como um posto de turismo está para uma cidade. Qualquer informação que se necessita é ir ao seu eco resort e fazer as perguntas. Ele simpaticamente ajuda toda a gente e dá toda a informação que necessita.

O Eco Resort e passo a fazer publicidade, é uma pequena estrutura hoteleira, constituída por meia dúzia de bungalows, feitos de canas de bambu e telhados de colmo. Possui um bonito restaurante redondo que também é uma zona de estar. Respeitando alguns conceitos da permacultura este ecor resort exibe o seu jardim, sendo este o ex-líbris, com árvores e plantas harmoniosamente dispostas.

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Um dos bungalows do Eco Resort do Barry

No resort estavam já o Nuno, a Rosa e o Ombat, conversavam sobre o que iam fazer no fim de semana. O Nuno disse-nos que aqui em Timor não se pode fazer grandes planos, o que hoje é certo, amanhã já não o é. Inicialmente tencionavam ir já para Atecrú (o tal local que nos falaram no barco) mas foi-lhes marcado uma reunião para segunda e teriam então que ficar na vila e ir só depois para Atecrú. Se eles não iam nós também não podíamos ir. Para além de não sabermos o caminho (só acessível a pé) também não sabíamos onde íamos passar a noite. Claro que gostávamos muito de conhecer o sítio, mas de certeza que iríamos ter mais oportunidades. Ficamos um bocado desiludidos, mas na boa, também não tínhamos feito planos para Ataúro, por isso se não dava, não dava. Mas para o Nuno e para a Rosa, o facto de eles não irem, não podia ser impeditivo de nós não conhecermos o seu “paraíso”. A questão do caminho para eles era problema explicavam-nos como se ia e estava resolvido, a questão da dormida é que era mais complicada. Então começaram a pensar em soluções e a planear o nosso fim de semana. Não é formidável?!! Perto de Atecrú há uma vila, chamada Adara que tem uns bungalows, o Nuno ligou  ao dono, que é timorense (o Mário) e este diz-lhe que já não tem vaga. Mas diz-lhe para nós virmos na mesma, trazer uma tenda que podíamos acampar na praia juntos dos bungalows. Que excelente ideia 🙂 mas nós não tínhamos tenda! OK!! Agora sim mentalizados que não ia ser desta que conseguíamos ir. Mas mais uma vez os nossos novos amigos, surpreenderam-nos e disseram-nos: “se não vamos para Atecrú, não precisamos das tendas e pudemos emprestar-vos uma!!” Sinceramente ainda pensámos em não aceitar a oferta, não queríamos abusar da boa vontade (nós tínhamos acabado de conhecê-los, já não se encontra pessoas assim!), mas o nosso desejo de ir era grande e o entusiasmo deles em ajudar-nos também o era. Por isso não havia outra forma se não aceitar.

A questão da dormida está resolvida, agora só precisávamos de saber o caminho. O Barry entregou-nos um mapa, parecia mesmo aqueles mapas de antigamente para descobrir os tesouros, com casas, e ruas desenhadas e setas e um X grande a mostrar o sítio. O caminho que nos esperava era duro e longo, o Nuno disse-nos umas 4 horas. Para nos poupar um bocado o Barry consegui arranjar-nos boleia com uns timorenses que iam na mesma direcção. Partilhamos a caixa aberta da Pick Up com mais 5 pessoas, dois homens, duas mulheres e uma criança. 20 minutos depois a subir por uma estrada de terra batida o carro deixou-nos no cruzamento por onde tínhamos que seguir. Esta boleia foi preciosa, depois de ver o caminho, fazê-lo a pé, à chapa do sol e sempre a subir seria uma tortura!

A aventura ia começar agora, sozinhos, no meio do nada, na montanha com um mapa à frente. Foi fácil dar com o caminho, seguimos as indicações do mapa do Barry e tal como o Nuno dizia “o caminho não tinha nada que enganar” era só seguir o percurso já feito pelos os timorenses que o fazem diariamente.

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Aqui vou eu cheia de vida…  

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Esta parte custou tanto de se fazer ao sol

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O percurso é lindo, mas custa pra caraças!!!

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Entre vales e floresta seguíamos o mapa.

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A sério eu estava de rastos!!!!

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A prova do esforço e do cansaço, pés inchados e sujos!

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