SOLS 24/7

Escrito por Ricardo Santos
A SOLS (science of live scool) é uma ONG que nasceu no Camboja e foi fundada em 2000 por um malaio, tem sede na Tailândia e está implementada em diversos países da Ásia, tais como, a Índia, a Tailândia, o Laos, o Cambodja, a Malásia e Timor Leste. O objectivo desta organização é ajudar a formar jovens entre os 17 e os 24 anos, em locais pouco desenvolvidos, dando-lhes capacidades intelectuais de modo a poderem almejar um futuro melhor.
A SOLS autodenomina-se uma associação NÃO RELIGIOSA mas na verdade é mais uma organização tolerante a todas as religiões. Nas paredes das escolas é possível ver diversas palavras inspiradas nas diversas religiões tais como a cristã, a islã, a budista, a hinduista, a judia… E todos os dias são feitas 2 orações ( uma de manhã e outra à noite) onde são cantadas musicas de diversas religiões, embora, sendo Timor um país maioritariamente católico, as musicas são maioritariamente desta religião.
Em Timor a SOLS teve início em Novembro de 2006, está presente em todos os distritos e na maior parte dos sub-distritos, são mais de 50 centros com uma média de 30 alunos por centro.
A formação dos alunos da SOLS é feita por 4 etapas:
1ª etapa – Todos os alunos deverão frequentar, em regime de internato, 6 meses de aulas nos centros dos distritos. Só poderão ir a casa aos fins-de-semana. Aí irão começar a aprender inglês e serão introduzidos à realidade da SOLS.

2ª etapa – Após 6 meses nos distritos, todos os alunos irão para o centro da SOLS em Dili (Becora) onde passarão mais 6 meses em regime de internato, continuando os seus estudos em Inglês, matemática e introdução à informática. Esta formação é complementada com palestras sobre motivação, como estar na vida, como enfrentar o futuro, etc…

3ª etapa – Após a conclusão da 2ª etapa, os alunos irão novamente para os distritos, onde desempenharam um papel de professores voluntários. Esta etapa também tem uma duração de 6 meses.

4ª etapa – Os ultimos 6 meses são passados novamente no centro da SOLS em Dili onde os alunos são chamados de académicos e têm formação em Português, Inglês, Bussiness English, Marketing, computador e Ciências da Vida. Após a conclusão desta etapa os alunos podem seguir dois caminhos, ou deixam a SOLS e vão começar procurar emprego ou então continuam o seu percurso com a SOLS onde terão oportunidade de ser voluntários em Timor ou noutro país onde a SOLS esteja, e mais tarde poderão vir a ser professores da SOLS ou mesmo Managers nos distritos.

“A nossa” SOLS – Becora, Díli

A nossa função na SOLS é dar início a um projecto piloto que é ensinar português aos alunos académicos (4ª etapa) no centro da SOLS em Dili.
Este centro fica situado num terreno em Becora, Díli com mais de 2 hectares onde tem um barracão para fazer as orações diárias, sala de computadores, escritório, um mini mercado, dormitório para rapazes e raparigas (por vezes mais de 500 alunos), dormitórios para os voluntários, dormitórios para os professores, refeitório, cozinha e diversas salas de aulas.
Aqui “co-habitam” por vezes mais de 600 pessoas, e todas essas pessoas tomam o pequeno almoço, almoçam e jantam todos os dias, por isso a logística é enorme.
A cozinha como podem imaginar não segue os padrões de higiene europeus. Se Timor tivesse ASAE a SOLS era encerrada na hora. A comida é feita em 3 “fogões” a lenha e são utilizadas enormes frigideiras e tachos para cozinhar o arroz e o resto da comida. Duas vezes por semana o Estro e mais 5 ou 6 voluntários saem no camião em direcção às montanhas para apanhar lenha de palmeira para fazer as fogueiras. O sabor da comida também não segue os padrões europeus nem asiáticos, e é muito rudimentar (arroz com legumes, arroz com galinha, arroz com peixe frito, arroz com…). Mas é incrível ver como tudo funciona bem numa cozinha que conta com tão poucos meios e conseguem fazer tanta comida.  Dá que pensar, mesmo! Até parece que é fácil!
O laboratório dos computadores é uma enorme sala com mais de 60 computadores onde os alunos aprendem o básico e onde a maioria deles têm o primeiro contacto com computadores.
Em termos de estrutura organizativa a SOLS é composta por um Diretor (Mr Amerjit), por responsáveis de departamentos (finanças, logística e manutenção, ensino de inglês e agora ensino de Português, …) parece uma organização simples mas na verdade é bastante complexa porque existe uma trabalho a realizar. Mas por incrível que pareça tudo corre maravilhosamente bem. As pessoas são muito tolerantes umas com as outras, não existe “guerras” entre departamentos. Não existe berros não se nota autoridade, ou seja, é um exemplo para muitas organizações. Na minha opinião o segredo do sucesso deve-se ao comprometimento que todos têm com a organização que resulta num só objectivo para todos.
A SOLS funciona à base de voluntariado mas não só, existem diversas pessoas que recebem ordenado. Este centro funciona como uma comunidade multicultural, vivem aqui famílias de diferentes países. Temos 4 famílias já com filhos (bebés) a viverem na escola.
Em termos financeiros a SOLS vive de ajuda Internacional e do próprio governo Timorense. Esta ajuda só existe porque o trabalho desempenhado pela organização é bastante reconhecido, não só em Timor, mas também nos outros países onde a SOLS se encontra.
Aqui em Timor, a SOLS já fez várias parcerias com o Governo e penso que existe vontade de ambas as partes fazerem mais parcerias porque os métodos de ensino da SOLS são bastante apreciados pelo governo, pois comparado com o ensino publico é notório que os alunos da SOLS aprendem muito melhor,mais depressa e saem mais preparados para enfrentar a realidade timorense.
Apesar de receber ajudas externas, o dinheiro não é suficiente para tudo, uma vez que há rendas dos terrenos para pagar, comida, material didáctico, água, luz….por isso todos os alunos pagam cerca de $18 dólares por mês para ajudar a pagar a alimentação.
Em suma, não é fácil desvendar os segredos para o sucesso da SOLS, até porque a meu ver não há segredos, tudo se resume à educação e à filosofia que a SOLS cultiva nos seus alunos, deste o 1º dia até ao último. Também admito que esta filosofia e estes métodos não resultariam em países mais desenvolvidos, porque aí os jovens já têm alguns conhecimentos e vícios, que os impediriam de aceitar algumas regras aqui impostas. Em países menos desenvolvidos é bastante mais fácil porque têm as mentes mais disponíveis para aprender e porque não têm tanto lixo a “poluí-las”.

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